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Meu Perfil
BRASIL, Norte, BELEM, CIDADE VELHA, Homem, de 36 a 45 anos, English, Spanish, Livros, Cinema e vídeo, Viagens MSN - sergiolmrivero@hotmail.com
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http://sergiolmrivero.blogspot.com/
Escrito por Sérgio às 00h39
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Encerrando
Tou encerrando meu blog aqui no uol...Farei outro. Depois posto aqui o endereço. Vou ver se monto um novo blog com um pouquinho mais de recursos.
Obrigado a todos que me leram por aqui.
Abraços.
Escrito por Sérgio às 07h40
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A última rosa.

Cerro. O senhor vê. Contei tudo.
Agora estou aqui, quase barranqueiro.
Para a velhice vou, com ordem e trabalho.
Sei de mim?
Cumpro.
O Rio de São Francisco - que de tão grande se comparece - parece é um pau grosso, em pé, enorme...
Amável o senhor me ouviu, minhas idéias confirmou: que o diabo não existe.
Pois não?
O senhor é um homem soberano, circunspecto.
Amigos somos.
Nonada.
O diabo não há!
É o que eu digo, se for...
Existe é homem
humano.
Travessia.
Riobaldo - No último parágrafo do Grande Sertão
O último perfume da rosa
Escuros olhos de cão feroz Acordam o triste amanhecer cinzento Da rosa, nome, que algum algoz Matou de sede e sombra, de sol e vento.
Algum perfume de rosa havia Naquele galho onde murcha, jaz O triste signo de som e fúria.
Meus olhos choram, mudos, agora, por sobre a lápide, o que, um dia, foi cheiro, sonho, perfume, voz; Pulsou, rosa, ensolarada aurora.
Escrito por Sérgio às 11h24
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A Penúltima rosa (talvez)

Uma rosa só espinho
"O senhor vê aonde é o sertão? Beira dele, meio dele?..." (Riobaldo)
Queriam-me rosa. Pétala suave emanando doce perfume de orvalho.
Vejo-me espinho, Agudo, estranho, ponto, vírgula presa à carne verde do caule da rosa.
Carnadura de rosa, imaginando musgos abrindo. floraldocemacia, entranhas úmidasférteis.
Pétala
Cravo tua carne
Marco para sempre o sutilfragildelicado perfume com minhas cicatrizes de espinho.
Escrito por Sérgio às 21h37
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Voltando às Rosas
 Flor no sítio do Zeca
A escritura da rosa
(ou Velos-Impermanências)
"To morrow, and to morrow, and to morrow, Creepes in this petty pace from day to day, To the last Syllable of Recorded time: And all our yesterdayes, haue lighted Fooles The way to dusty death." (Macbeth, Ato V, cena V)
Passo insano o traço sobre o plano e marco
a pele
do cordeiro.
Tatuagem sem sentido.
Som e fúria congelados.
Aguardando ávidos a vítima incauta atraída pela capa.
Escrito por Sérgio às 21h52
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O Terceiro da Série da Rosa

O Veneno da Rosa
"Mas cachoeira é barranco de chão, e água se caindo por ele, retombando; o senhor consome essa água, ou desfaz o barranco, sobra cachoeira alguma?" (Riobaldo, de novo.)
A rosa da palavra é veneno
que recolho e destilo quando lavro o estilo na página avara.
A palavra da rosa é o eterno
que guardo e compilo quando abro a pupila da memória rara.
O veneno da rosa é palavra
que apequena e evanesce quando colho, imprudente, sua alma de aurora.
Escrito por Sérgio às 02h18
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O Segundo da Série da Rosa
Bom....Choveu, nevou...E aqui vai mais um da série da rosa, meio metapoesia (mas, analisar poemas não é pra mim, principalmente os meus).
Como diz o F'rnando: "Sentir, sinta quem lê".
Me lembrei da Antiode do meu amado JCMN. Desculpem a epígrafe longa longa, mas não sabia onde cortar. Acabou ficando assim mesmo.
Recomendo a "Antiode", assim como "O Cão Sem Plumas" e "Uma Faca Só Lâmina"...Melhores e menos citados que "Tecendo a Manhã" e o famigerado "Morte e Vida, etc".
João Cabral é de difícil digestão mas é MUITO nutritivo.
 Uma Helicônia do Jardim da Ori
A Helicônia é a flor mais não flor que conheço (tirando os cogumelos, que não são flores).
A rosa que me quer
"Poesia, te escrevia: flor! conhecendo que és fezes. (Fezes como qualquer,
gerando cogumelos raros, frágeis, cogumelos) no úmido calor de nossa boca
Delicado, escrevia: flor! (Cogumelos serão flor? Espécie estranha, espécie
extinta de flor, flor não de todo flor, mas flor, bolha aberta no maduro)." (João Cabral em Antiode)
Poesia JC te queria Anti-flor.
A ti, não sei se quero Rosa rubra de sangue banhada pelos rios das lágrimas de ariadne na teia destecida e retecida todas as noites todos os dias...
Poesia, te queria Rosa Perfume sem nome Emoldurando madrugadas aveludadas de orvalho ventosas alvoradas na praia ensolarada.
Poesia, o que me queres? Uma alma inteira nada basta nunca chega nunca passa.
Não-flor, não "anti" aflor aflora nasce brota mina aquela água e me devora.
Escrito por Sérgio às 17h06
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O Primeiro da Série da Rosa
 O Rosa em http://www.manuelzao.ufmg.br/folder_projeto/folder_guimaraes
A Rosa Implausível
"E o nome da Flor era o dito, tal, se chamava - mas para os namorados respondido somente" (Riobaldo)
Inominada flor Indesejada flor.
Flor.
Sou pedra. Única Inamovível Pedra.
Não Rosa. Inconsútil rosa. Intolerável rosa. Pétalas de dor, cravejada de espinhos suaves.
Ser-se pedra. Rios rolando ácidas águas. impensadas veredas leitos secos de sertão.
E a Rosa, Perfume, Nome.
Escrito por Sérgio às 12h41
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Robert Creeley e Flores
Voltando às Flores.
Tempo tempo...Tempus Fugit. Bom...Sem tempo pra quase nada de diversões literárias. Zapeando entre uma aluna de pós, um projeto pro cnpq e uma aulinha básica, me deparei com Robert Creeley. Acho a poesia moderna em inglês cheia de coisas interessantes, principalmente essa gente desesperada da New England...Me faz sentir, pensar, sentir, pensar... Volto às flores, então.
 Creeley, na wikipedia, claro!! (Doem para a Wikipedia!!!!!!)
The Flower I think I grow tensions
like flowers in a wood where nobody goes. Each wound is perfect, enclosed itself in a tiny imperceptible blossom, making pain.
Pain is a flower, like that one, like this one, like that one, like this one. (Robert Creeley)
A Flor
Penso que cultivo tensões
como flores num bosque onde ninguém vai.
Cada ferida - perfeita -, fecha-se numa minúscula imperceptível pétala causando dor.
Dor é uma flor, como aquela como esta, como aquela, como esta. (trad: Régis Bonvicino)
Escrito por Sérgio às 20h50
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Um Deus - O Monstro de Espaguete Voador
Um Deus.... (Belo Concorrente para o "Design Inteligente")
Eu sinceramente estou mais inclinado a acreditar na lagarta verde que come pedras...
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=8459023
Escrito por Sérgio às 17h42
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João Cabral
Muitas vezes falamos, eu e Milena, de escrever sobre o erotismo em Jõao Cabral de Melo Neto...Especificamente sobre as mulheres de Jõao Cabral. Um poeta que no seu tão propalado "anti-lirismo" nos brinda com imagens maravilhosas de uma carnadura aguda de osso e uma delicadeza de catedral gótica. Parecem imagens estranhas, como se não coubessem bem num poema. Mas é o que adoro em João Cabral, a sua anti-lírica, para mim não é uma antítese, mas um duplo do lirismo. Um lirismo anti-simétrico, como um espelho, ou uma foto em negativo. Não sou nada treinado (nem gosto) da crítica de poesia em geral. Diz muito do convencional, boa parte das vezes, e, raramente, os críticos (os literatólogos...eheheh) exploram possibilidades com rigor e acuidade, ou com liberdade e leveza. Muitas vezes é um repetir de fórmulas, mais ou menos convencionais com alguns pequenos acréscimos. Bom, vou deixar de descascar contra o lirismo e mostrar algo do JCMN. Depois mostro outras coisas.
 JCMN numa pose menos convencional...
Mulher Vestida de Gaiola
Parece que vives sempre de uma gaiola envolvida, isenta, numa gaiola, de uma gaiola vestida,
de uma gaiola, cortada em tua exata medida numa matéria isolante: gaiola-blusa ou camisa.
E assim como tu resides nessa gaiola, cingida, o vasto espaço que sobra de tua gaiola-ilha
é como outra gaiola igual que o mar: sem medida e aberto em todos os lados (menos no que te limita).
Pois nessa gaiola externa onde tudo tem cabida, onde cabe Pernambuco e o resto da geografia,
três bilhões de humanidade e até canaviais de usina sei que se debate um pássaro que a acha pequena ainda.
Tal gaiola para ele mais do que gaiola é brida; como cárcere lhe aperta sua gaiola infinita
e lhe aperta exatamente por essa parede mínima em que sua gaiola-mundo com a tua faz divisa.
Contra essa curta parede entre ti e ele contígua, que te defende e para ele é de força, se é camisa,
todo o dia se debate a sua força expansiva (não de pássaro, de enchente, de enchente do mar de Olinda).
Por que ele a quem sua gaiola de outros lados não limita, deseja invadir o espaço de nada que tu lhe tiras?
por que deseja assaltar precisamente a área estrita da gaiola em que resides, melhor: de que estás vestida?
Escrito por Sérgio às 11h29
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Oides e Faustino
ORIDES
foto: Juan Esteves (Folha Imagem)

Rosa
Eu assassinei o nome da flor e a mesma flor forma complexa simplifiquei-a no símbolo (mas sem elidir o sangue).
Porém, se unicamente a palavra FLOR -- a palavra em si é humanidade como expressar mais o que é densidade inverbal, viva?
(A ex-rosa, o crepúsculo o horizonte.)
Eu assassinei a palavra e tenho as mãos vivas em sangue. (Orides Fontela)
FAUSTINO

1o Motivo da Rosa
Da rosa somente a pétala inconsútil Inamissível lembrança
Onde o perfume a cor incompassiva?
A beleza é apenas a passagem divina impiedosa e fugaz (Mário Faustino)
2o Motivo da Rosa
A rosa adormecida sonha sonha e sonha por que surgiu a rósea rosa sonhando sonhando?
Veio para que o poema nascesse como suas pétalas sensíveis:
intocável e úmido de orvalho
veio para que ficasse a sonolenta imagem de qualquer coisa livre livre livre volutariamente presa a um caule apenas para uma noite de sono. (Mário Faustino)
Escrito por Sérgio às 15h26
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Cecília e Rosas
Tenho pensado muito sobre rosas...Muito mesmo!
Lembrei de Cecília e suas rosas. A rosa é um tema recorrente na literatura, principalmente na poesia... Símbolo do efêmero e do imortal, que convivem numa só imagem, a rosa...Símbolo, nome que permanece, perfume que se esconde na memória...Lembrança. A rosa como símbolo, o nome que pode ser esquecido, para manter o perfume para julieta, a rosa, é uma rosa....
A Rosa ressoa, recende, reflete....Rosa.
Bom...Cecília....
 (Cecília em releituras.com)
Rosa
"Tu és como rosto das rosas: diferente em cada pétala. Onde estava o teu perfume? Ninguém soube. Teu lábio sorriu para todos os ventos e o mundo inteiro ficou feliz. Eu, só eu, encontrei a gota de orvalho que te alimentava, como um segredo que cai do sonho..." (C.M.)
1o. Motivo da Rosa
Vejo-te em seda e nácar, e tão de orvalho trêmula, que penso ver, efêmera, toda a Beleza em lágrimas por ser bela e ser frágil.
Meus olhos te ofereço: espelho para face que terás, no meu verso, quando, depois que passes, jamais ninguém te esqueça.
Então, de seda e nácar, toda de orvalho trêmula, serás eterna. E efêmero o rosto meu, nas lágrimas do teu orvalho... E frágil. (C. M.)
4º Motivo da Rosa
Não te aflijas com a pétala que voa: também é ser, deixar de ser assim. Rosas verá, só de cinzas franzida, mortas, intactas pelo teu jardim. Eu deixo aroma até nos meus espinhos ao longe, o vento vai falando de mim. E por perder-me é que vão me lembrando, por desfolhar-me é que não tenho fim. (C.M.)
"Rose is a rose is a rose is a rose." (Gertrude Stein)
E, claro, não podia faltar meu amado Bill Shake... (procurem uma tradução)...
'Tis but thy name that is my
enemy;
Thou art thyself, though not a Montague.
What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part
Belonging to a man.
O, be some other name!
What's in a name?
that which we call a rose By any other name would smell as sweet;
So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title.
Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee
Take all myself.
(Romeo and Juliet, Act II, Scene II)
Escrito por Sérgio às 13h06
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Dorothy Mae Stang, ou Irmã Dorothy

Bom...me lembra, é claro, como uma perversa antítese, o mágico de Oz. Dorothy não nasceu no Kansas, mas em Dayton, Ohio (o Kansas fica bem mais ao oeste).
Transamazônica...

A estrada não é de tijolos amarelos. O barro vermelho e a lama cinza são sua cobertura. Não tem castelo no final, tem um monte de casas cinza no meio com agricultores pobres, pistoleiros e grileiros disputando o espaço que ainda existe ali.

Estivemos em Anapu. Lá me disseram que a nossa caminhonete estaria segura no lugar onde a estacionamos, antes de entrar no sítio que dá acesso ao túmulo onde está enterrada a irmã Dorothy. Mas não era por alguma vontade divina (já que isso não existe)...Era simplesmente porque, em frente a este lugar, seria a casa de um suposto pistoleiro.

O caminho que fizemos até seu túmulo é uma picada aberta a partir do sítio de conhecidos do amigo que nos levou lá... Ela pediu pra ser enterrada ali, num centro de formação da Igreja Católica.

O assasino pediu que ela virasse de frente, antes de matá-la. Descarregou a arma nela. O revólver foi encontrado na casa do fazendeiro acusado de ser o mandante do crime.
(http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI471203-EI306,00.html , http://society.maryknoll.org/index.php?module=MKArticles&func=display&feature=1&id=103).
Hoje (24/10/2007), os pistoleiros acusados, no segundo julgamento, disseram que se sentiam ameaçados por Dorothy e negaram que foi um crime encomendado, tentando, portanto, inocentar o fazendeiro que supostamente contratou o "serviço".
Segundo a CPT (http://www.cptnac.com.br/?system=news&action=read&id=1825&eid=6) foram mortas, de 1997 a 2006, 367 (isto mesmo, TREZENTAS E SESSENTA E SETE) PESSOAS em conflitos de terra no Brasil. Da maioria destes assasinatos não se encontra os criminosos. A maioria dos que morrem, assim como nas favelas pobres do brasil, são os moradores da área (posseiros, agregados, assentados, agricultores).
A ameaçadora Dorothy morreu com seis tiros (três a acertaram), emboscada por dois assassinos. O tiro fatal foi na cabeça, quando ela já estava no chão.
Tinha 73 anos.

Escrito por Sérgio às 03h57
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A Rosa, novamente
Não resisti...Traduzi o poema da Rosa...do Frost.
The Rose Family The rose is a rose, And was always a rose. But now the theory goes That the apple's a rose, And the pear is, and so's The plum, I suppose. The dear only knows What will next prove a rose. You, of course, are a rose-- But were always a rose. (Robert Frost)

A família da Rosa
A rosa é uma rosa, E foi sempre uma rosa. Mas agora a teoria faz Da maçã alguma rosa, E a pêra é, assaz, como a ameixa, nesta glosa. Sabe-se lá o que mais logo se provará uma rosa. Tu, é claro, és uma rosa-- Mas foste sempre uma rosa. (tradução: Rivero)
Escrito por Sérgio às 21h20
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